Furacão Matthew e a instabilidade do Haiti

Marina Mello

Resumo

Em outubro de 2016, o Haiti, país mais pobre do continente americano, foi mais uma vez atingido por um fenômeno natural que causou graves problemas para a sociedade em geral, o furacão Matthew. Dessa maneira, este artigo busca examinar os dois últimos maiores desastres naturais no Haiti desde 2010 e analisar seus impactos socioeconômicos no país, considerando a precária infraestrutura, a falta de transparência do governo haitiano no cenário internacional e a dificuldade em empregar as doações financeiras de maneira eficaz a fim de reconstruir o país.

A conjuntura socioeconômica do Haiti e sua instabilidade natural

Com uma população de 10,2 milhões de pessoas, o Haiti é considerado o país mais pobre do hemisfério ocidental, com 80% da população vivendo abaixo da linha da pobreza[1] (THE WORLD BANK, 2016). Segundo o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), o Haiti ocupou, em 2015, a 163º posição no ranking do IDH, que mede o desenvolvimento humano se baseando em três dimensões principais: o PIB per capita, a escolaridade e a expectativa de vida (HUMAN DEVELOPMENT INDEX, 2015). Em 2015, o HAITI apresentou uma taxa de crescimento econômico de 1,5%, a qual está estimada em 0,8% em 2016 devido à  diminuição dos investimentos, a crise política[2] e a lenta recuperação do setor agrícola após uma grave seca, além de que o PIB per capita no país em 2014 era de US$ 846, o mais baixo da América. (THE WORLD BANK, 2016).

Além desses problemas, o país também lida com casos de corrupção; baixos níveis de educação; inflação de 9% ao ano; u taxa de desemprego de 30% e uma grande vulnerabilidade aos desastres naturais devido à sua posição geográfica, isto é, o país está localizado no limite entre duas placas tectônicas, a Caribenha e a Norte-Americana. Como cerca de 40% da população depende do setor agrícola e, principalmente, da agricultura de subsistência, essa instabilidade natural traz problemas relacionados a alimentação devido aos danos às plantações e às áreas cultiváveis (O TERREMOTO NO, 2010; THE WORLD FACTBOOK, s/d). O baixo grau de investimentos privados e públicos na melhoria da infraestrutura do setor agrícola dificulta a implementação de estratégias que poderiam prevenir ou ajudar a minimizar os riscos e as consequências dos desastres naturais nesse setor (AGRICULTURE IN HAITI, 2013).

Ademais, esse território continua fortemente exposto às ameaças ambientais como inundações e deslizamentos de terra por causa de seus elevados níveis de desmatamento, ou seja, esse fator acaba agravando as consequências dos desastres naturais. O Haiti é o país com a taxa mais baixa de preservação ambiental do mundo, apresentando somente 2% da floresta tropical preservada atualmente (ROSHAM, 2013). Esse fator, juntamente com a precariedade da infraestrutura resultaria na incapacidade dessa ilha em se preparar para desastres iminentes a colocam em risco frequentemente. A infraestrutura básica precária se refere à falta de saneamento, centros de saúde, abrigos de evacuação e a fragilidade das moradias da maioria da população (JONES, 2016).

Em 2016, o governo lançou uma campanha para promover o reflorestamento do país, com o objetivo de combater as principais causas da pobreza do país e da vulnerabilidade ecológica e a meta é atingir 10% de cobertura natural nos próximos 50 anos. O desmatamento foi causado, principalmente, pelas plantações extensivas desde o período colonial, além do uso das árvores como combustível para cozinhar até os dias de hoje. A pobreza é relacionada com esse processo, pois o desmatamento degrada os solos, o que diminui os rendimentos e as produções agrícolas e gera escassez de água para a população (ROSHAM, 2013).

O terremoto de 2010 e suas implicações

O mais forte terremoto já registrado nas Américas aconteceu no Haiti e atingiu principalmente Porto Príncipe, a capital do país, em janeiro de 2010 (HAITI DEVASTATED BY…, 2016). Esse desastre matou mais de 200 mil pessoas e resultou em várias consequências econômicas e sociais. Primeiramente, o prejuízo total foi avaliado em 120% do PIB do país;, 1,5 milhão de pessoas foram deslocadas;, a infraestrutura local desmoronou; com mais de 300 mil casas danificadas ou destruídas e mais de cinco mil escolas afetadas (SEIS MESES APÓS, 2010; REPÚBLICA DO HAITI, s/d; JONES,2016). O palácio presidencial, o parlamento, a sede da ONU, os prédios governamentais, as estruturas administrativas e econômicas foram amplamente destruídos, resultando no desaparecimento e na morte de um grande número de funcionários tanto do governo quanto de outras instituições (EXCLUSIVO: CINCO ANOS…, 2015).

Diante dessa catástrofe, vários países se mobilizaram para ajudar imediatamente o Haiti, enviando dinheiro, tropas, mantimentos, medicamentos e médicos. A ajuda financeira foi expressiva, totalizando US$9 bilhões, quantia maior que o próprio PIB do país de US$6,623 bilhões segundo o Banco Mundial em 2010 (THE WORLD BANK, 2010). Dessa ajuda, US$6 bilhões vieram de organizações mundiais e dos governos, enquanto o restante foi doado por pessoas físicas  e companhias de acordo com o escritório do enviado especial da ONU ao Haiti (Office of the Special Envoy for Haiti OSE, na sigla em inglês) (SEIS MESES APÓS, 2010; RODGERS, 2013).

Essa ajuda financeira seria empregada no financiamento da reconstrução do país, sendo que as Nações Unidas e outras organizações de ajuda humanitária seriam as responsáveis por fiscalizar a aplicação desses recursos. Entretanto, grande parte do destino desse dinheiro ainda é desconhecida. O país lida com uma conjuntura na qual a administração política não funciona bem, não existe aparato de segurança eficiente, a corrupção é generalizada e as ONGs trabalham sem coordenação com a sociedade civil, dificultando o uso apropriado dos bens públicos (WELLE, 2016).  Além disso, existem acusações de que o dinheiro foi mal empregado e ajudou pouco a reconstruir o país e o preparar para outras possíveis catástrofes (JONES, 2016). O mau uso de todo esse dinheiro ressalta a necessidade de uma maior transparência governamental, uma vez que preocupações com a fragilidade das instituições e com a corrupção se tornam um obstáculo para futuras captações de dinheiro através das organizações haitianas (RODGERS, 2013).

Desde 1995, um Índice de Percepção de Corrupção é realizado anualmente pela ONG Transparência Internacional e tem como objetivo analisar o nível de corrupção do setor público de 168 países e os pontuar de 0 a 100, sendo 100 a ausência total dela. A partir dessa pontuação, é criado o ranking da corrupção (MEDINDO A CORRUPÇÃO, s/d). O Haiti é considerado o país mais corrupto do continente americano, juntamente com a Venezuela, ambos ocupam a 158º posição no ranking com 17 pontos, e por isso se tem a falta de credibilidade e a dificuldade em certificar o destino final das doações (CORRUPTION PERCEPTIONS INDEX, s/d).

Furacão Matthew e suas consequências

Outro desastre natural no Haiti aconteceu em outubro de 2016. Dessa vez, o país foi abalado por um furacão denominado Matthew que foi o mais forte a atingir a região do Caribe na última década. Esse furacão atingiu também outros países como Cuba, Estados Unidos e República Dominicana, porém as consequências no Haiti foram as mais expressivas, devido à debilitada infraestrutura, considerando também que o país ainda não tinha se reconstruído totalmente após o terremoto de 2010 (ZAVIS; JARVIE, 2016).

Cerca de 1000 pessoas morreram no país, milhares de casas foram destruídas e mais de 300 mil pessoas estão em moradias temporárias. Segundo fontes da ONU, esse furacão é o responsável pela maior crise humanitária no Haiti desde 2010, com 1,4 milhões de pessoas precisando de assistência na região em um total de 2,1 milhões de pessoas afetadas, de fato, pelo fenômeno (AYUSO, 2016; HURRICANE MATTHEW DEVASTATION’S…, 2016).

O presidente interino, Jocelerme Privert, garantiu que o país vai precisar de ajuda internacional para enfrentar as emergências resultantes do furacão (AYUSO 2016). A cruz vermelha fez um apelo por US$6,9 milhões para suprir medicamentos, abrigos, água potável e assistência sanitária para mais de 50 mil pessoas (HURRICANE MATTHEW: HAITI…, 2016). A agência da ONU em Genebra, entretanto, fez um pedido de US$120 milhões a fim de prover assistência e proteção, principalmente, para as pessoas do sudoeste do país, região mais afetada pelo desastre (HURRICANE MATTHEW DEVASTATION’S…, 2016).

Após a ineficiência em alocar os recursos recebidos na última grande tragédia, os governos, instituições, organizações, pessoas, empresas estão mais receosos no que diz respeito ao envio de ajudas financeiras para o Haiti. Para lidar com essa desconfiança, o presidente interino, afirmou que, dessa vez, as organizações de ajuda não serão mais as únicas responsáveis em canalizar os recursos para a reconstrução do país, anunciou também que tudo passará pelo governo e pediu que os doadores acreditassem que eles estariam  no controle da situação (AHMED, 2016).

O impacto do furacão, imediatamente, levantou preocupações no que se refere à saúde pública do país, especialmente pela disponibilidade de água, comida e abrigos (DEWAN; NARAYAN, 2016). Isso se deve ao fato do Haiti estar lidando com a maior epidemia de cólera do mundo dos últimos anos desde outubro de 2010, com um total de nove mil mortes e quase 800 mil casos (HAITI: ONU DIZ…, 2015). Em julho de 2016, a ONU informou que as incidências dessa doença tinham diminuído 90%, graças a iniciativas que levam água limpa e saneamento até as comunidades (HAITI: COLÉRA CAIU…, 2016). Essa doença é contraída a partir do consumo de água ou alimentos contaminados e causa a morte em questão de horas se o paciente não for atendido rapidamente (HAITI E SURTO…, 2010). Contudo, a passagem do furacão causou inundações e falta de água potável aos sobreviventes, que foram forçados a beber água da chuva, possivelmente contaminada, e isso contribuiu para uma maior disseminação da doença (HOLPUCH…, 2016).

Considerações finais

Os desastres naturais que atingem o Haiti dificultam ainda mais a melhoria da sua infraestrutura e o seu desenvolvimento econômico e social. A instabilidade natural do país faz com que, recorrentemente, o governo precise disponibilizar recursos e pedir ajuda para reconstrução de partes danificadas ou destruídas pelos fenômenos naturais e para providenciar itens e bens básicos para sua população, como comida e remédios. Os dois acontecimentos citados nesse texto tiveram mais repercussão internacional nos últimos tempos, mas outros casos também ocorreram no Haiti, como o furacão Sandy que atingiu o Haiti em outubro de 2012 e matou mais de 50 pessoas e deixou mais de 20 mil desabrigadas (UN: HAITI FACES…, 2013).

Dessa maneira, o país precisaria reconstruir e melhorar eficientemente sua infraestrutura, para evitar futuros desastres com grande número de mortes e grande destruição. Os países vizinhos, como Cuba, também sofrem com esses fenômenos, porém as consequências são minimizadas pela melhor qualidade da infraestrutura, pela melhor administração pública e pelo menor grau de desmatamento, causando menos inundações e deslizamentos de terras, por exemplo.

Além disso, o governo do Haiti deveria trabalhar para melhorar a credibilidade de sua administração no cenário mundial e combater a corrupção generalizada nas instituições públicas do país, para, então, conseguir aumentar a capitalização de ajudas de órgãos, governos e empresas ao redor do mundo. O combate à corrupção também ajudaria a canalização correta e eficiente do dinheiro público, ou seja, na sua total utilização em prol da sociedade.

Referências

AGRICULTURE IN HAITI: highly vulnerable, mostly uninsured.Outubro 2013. Disponível em: <http://www.worldbank.org/en/news/feature/2013/04/03/agriculture-in-haiti-highly-vulnerable-mostly-uninsured&gt;. Acessoem 19/10/2016.

AHMED, Azam. After hurricane, Haiti confronts scars from 2010 earthquake recovery.Outubro 2016. Disponível em: <http://www.nytimes.com/2016/10/22/world/americas/hurricane-matthew-haiti-earthquake.html?_r=0&gt;. Acesso em 21/10/2016.

AYUSO, Silvio. Furacão Matthew deixa quase 900 mortos no Haiti e mergulha país no caos. Outubro 2016. Disponível em: http://brasil.elpais.com/brasil/2016/10/06/internacional/1475746470_475357.html&gt;. Acesso em 18/10/2016.

CORRUPTION PERCEPTIONS INDEX 2015. Disponível em: <http://www.transparency.org/cpi2015&gt;. Acessoem 18/10/2016.

DEWAN, Angela; NARAYAN, Chandrika.Haiti: hurricane Matthew leaves hundreads dead.Outubro 2016. Disponível em: http://edition.cnn.com/2016/10/07/americas/haiti-hurricane-matthew/&gt;. Acesso em 18/10/2016.

EXCLUSIVO: CINCO ANOS depois do terremoto que destruiu o Haiti, ONU continua apoiando reconstrução do país. Janeiro 2015. Disponível em: https://nacoesunidas.org/exclusivo-cinco-anos-depois-do-terremoto-que-destruiu-o-haiti-onu-continua-apoiando-reconstrucao-do-pais&gt;. Acesso em 18/10/2016.

HAITI COUNTRY PROFILE. Outubro 2016. Disponível em: http://www.bbc.com/news/world-latin-america-19548810&gt;. Acesso em 18/10/2016.

HAITI DEVASTATED BY massive earthquake.Janeiro 2010. Disponível em: http://news.bbc.co.uk/2/hi/8455629.stm&gt;. Acesso em 18/10/2016.

HAITI: ONU DIZ que epidemia de cólera precisa de ‘atenção urgente’. Maio 2015. Disponível em: https://nacoesunidas.org/haiti-onu-diz-que-epidemia-de-colera-precisa-de-atencao-urgente/&gt;. Acessoem 18/10/2016.

HOLPUCH, Amanda. Haiti faces fresch cholera outbreak after Hurricane Matthew, aid agencies fear.Outubro 2016. Disponível em: https://www.theguardian.com/world/2016/oct/14/haiti-cholera-hurricane-matthew-aid-agencies&gt;. Acesso em 18/10/2016.

HUMAN DEVELOPMENT INDEX.2015. Disponível em: <http://hdr.undp.org/en/content/human-development-index-hdi&gt;. Acesso em 20/10/2016.

HURRICANE MATTHEW: HAITI South ‘90% destroyed’.Outubro 2016. Disponivel em: http://www.bbc.com/news/world-latin-america-37596222&gt;. Acessoem 18/10/2016.

JONES, Sam. Why Haiti is vulnerable to natural hazards and disasters.Outubro 2016. Disponível em: <https://www.theguardian.com/world/2016/oct/04/why-is-haiti-vulnerable-to-natural-hazards-and-disasters&gt;. Acesso em 18/10/2016.

MEDINDO A CORRUPÇÃO: conheça o ranking da transparência internacional. Disponível em: <http://www.politize.com.br/medindo-a-corrupcao-conheca-o-ranking-da-transparencia-internacional/&gt;.Acessoem 18/10/2016.

O TERREMOTO NO HAITI. 2010. Disponível em: <http://www.marcosgeograficos.org.br/pdf/html.php?id=129&gt;. Acesso em 04/11/2016.

RAMACHANDRAN, Vijaya; WALZ, Julia. Haiti earthquake generated a $9bn responde- where did the money go? Janeiro 2013. Disponível em: <https://www.theguardian.com/global-development/poverty-matters/2013/jan/14/haiti-earthquake-where-did-money-go&gt;. Acesso em 18/10/2016.

REPÚBLICA DO HAITI. Disponível em: <http://www.itamaraty.gov.br/pt-BR/ficha-pais/5221-republica-do-haiti&g&gt;.Acessoem 18/10/2016.

RODGERS, Lucy. Haiti quake: why isn’t aid money going to Haitians. Janeiro 2013. Disponível em: http://www.bbc.com/news/world-latin-america-20949624&gt;. Acesso em 18/10/2016.

RODGERS, Lucy. Três anos após o terremoto, pouco dinheiro externo chega às instituições haitianas. Disponível em: <http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2013/01/130112_haiti_3_anos_pai&gt;. Acesso em 19/10/2016.

ROSHAM, Raschmee. Haiti to plant millions of trees to boost forests and help tackle poverty. Março 2013. Disponível em: <https://www.theguardian.com/world/2013/mar/28/haiti-plant-millions-trees-deforestation&gt;. Acesso em 21/10/2016.

SEIS MESES APÓS terremoto, ONU aponto situação do Haiti. Julho 2010. Disponível em: <https://nacoesunidas.org/relatorio-da-onu-aponta-situacao-do-haiti-apos-seis-meses-de-esforcos-de-reconstrucao/&gt;. Acesso em 21/10/2016.

THE WORLD BANK. Setembro 2016. Disponível em: http://www.worldbank.org/en/country/haiti/overview&gt;. Acesso em 18/10/2016.

THE WORLD FACTBOOK.Disponívelem: https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/ha.html&gt;. Acessoem 18/10/2016.

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WELLE, Deutsche. A nova catástrofe haitiana. Outubro 2016. Disponível em: < http://www.cartacapital.com.br/politica/a-nova-catastrofe-haitiana&gt;. Acessoem 18/10/2016.

[1] Segundo o Banco Mundial, esse parâmetro foi estabelecido em $1,90 por dia e por pessoa (THE WORLD BANK, 2016).

[2] Para entender melhor a situação política do Haiti: <https://pucminasconjuntura.wordpress.com/2016/09/19/a-necessidade-de-manutencao-das-tropas-da-onu-no-haiti/&gt;.

 

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