A Nova Rota da Seda e o projeto de ascensão chinês

Clara Rabelo Caiafa

 Thais Cordeiro

Resumo

 A República Popular da China (RPC) vem apresentando altíssimas taxas de crescimento na última década e, nesse sentido,surge a questão sobre quais seriam as estratégias adotas para que o seu projeto de ascensão seja consolidado. Uma dessas estratégias seria a iniciativa One Belt One Road, ou Nova Rota da Seda, que permitiria uma maior aproximação da RPC com os países da região da Eurásia e, assim, contribuiria para o fortalecimento da sua posição regional e global. Dessa forma, o objetivo desse artigo é realizar uma breve análise sobre os princípios norteadores da iniciativa da rota da seda, a forma que essa cooperação se dá e os benefícios e interesses dos países participantes.

O projeto de ascensão chinês

O processo de abertura econômica da República Popular da China (RPC) se iniciou na década de 1970 e possibilitou que essa passasse a apresentar taxas de crescimento econômico altas, chegando a cerca de 10% do PIB ao ano nos primeiros anos do século XXI. Novos desafios e condições foram, então, colocados para o país em decorrência desse crescimento econômico acelerado. Assim, a RPC se viu na necessidade de encontrar uma maneira de obter matéria prima e recursos energéticos para garantir a sustentação desse crescimento econômico e, assim, concretizar o seu projeto de ascensão. Além disso, ela passou a buscar apoio político e diplomático de outros países em foros multilaterais para questões como o reconhecimento de uma só China, tendo Pequim como sua capital (CARVALHO, 2015; ELLIS, 2009; VADELL, 2011).

Um outro aspecto relevante para se entender as estratégias e preferências da República Popular da China no que concerne ao seu processo de ascensão é o  conhecido  “cinco princípios da coexistência pacífica”. (ARRIGHI, 2007;ROSA, 2015; CHENG,GU,ZHANG,2015; MRE, 2016;NDRC,2015). Esses princípios, segundo notas do governo chinês, são os principais orientadores da política externa chinesa na atualidade. São eles: (1) respeito mútuo pela soberania e integridade territorial; (2) não agressão mútua; (3) não interferência mútua nos assuntos internacionais do outro; (4) benefício e igualdade mútuos e desenvolvimento conjunto; (5) se manter atualizado no que tange a reformas e inovação(NDRC, 2015; ROSA, 2015;CHENG,GU,ZHANG,2015;MRE, 2016). É importante frisar que esse caráter pacífico do projeto de ascensão sofre influência dos valores de interesse coletivo e harmonia social presentes na cultura asiática, notadamente o confucionismo (ROSA,2015). Ademais, é possível perceber que a lógica predominante no sistema asiático, ao contrário do sistema ocidental, foi na maior parte do tempo a de não agressão e não expansionismo. Sendo assim, é possível acreditar que a lógica que orienta a política externa chinesa poderia ser, portanto, a de pacificação e harmonia (ARRIGHI,2007).

A Nova Rota da Seda e o projeto de ascensão chinês

A antiga Rota da Seda data de mais de dois milênios atrás, quando os povos da Eurásia abriram rotas comerciais e de intercâmbio cultural entre as grandes civilizações da Ásia, Europa e África. De acordo com o governo chinês, a Rota da Seda pode ser considerada o símbolo da comunicação e da cooperação entre o Oriente e o Ocidente e seu legado de promoção da paz, abertura, inclusão, aprendizado mútuo possuem influência na política da região até os dias atuais (NDRC, 2015).

Como dito anteriormente, a RPC se viu na necessidade de buscar recursos e apoio político para conseguir sustentar o seu crescimento econômico. Nessa perspectiva, uma das estratégias adotadas pela Republica Popular da China para a consolidação do seu projeto de ascensão é a iniciativa conhecida como One Belt, One Road. Essa iniciativa se constitui na aproximação e cooperação entre os países da Rota da Seda e possui duas vertentes: a terrestre e a marítima e visa a conectar os países do Leste Asiático, Ásia central, Oriente Médio e Europa(XIAOMING,2015; XIANG,2015; NDRC,2015).

Conforme explicitado pelo Ministério de Relações Exteriores e pelo Ministério do Comércio da República Popular da China, a iniciativa One Belt, One Road promoveria o desenvolvimento mútuo e a prosperidade dos países ao longo da rota, na medida em que se dá na forma de cooperação ganha-ganha. O governo chinês afirma que além de promover o benefício mútuo e aprofundar a cooperação entre os países, ela permitiria a criação de uma comunidade com compartilhamento de interesses e inclusão cultural, além de promover a integração econômica e aumentar os fluxos de comércio entre os participantes. Ademais, ainda de acordo com o governo, uma maior abertura e inclusão entre esses países contribuiriam para a promoção da paz e da amizade entre os participantes (NDRC, 2015;ROSA,2015; XIAOMING,2015; XIANG,2015).

É possível perceber que os cinco princípios da coexistência pacífica estão presentes no discurso do governo chinês para a iniciativa da Nova Rota da Seda. Os princípios orientadores dessa iniciativa trabalham no sentido de contribuir para que a ascensão chinesa ocorra de maneira pacífica, através do compartilhamento de interesses e valores entre os países com quem se relaciona. Além disso, a RPC declara que ela se mantém coerente aos princípios de coexistência pacífica ao pregar que os benefícios da cooperação devem ser mútuos e que esta deve abranger não apenas aspectos econômicos e políticos, mas também os aspectos culturais. O fato de ela defender uma aproximação cultural vai ao encontro de sua estratégia de obter a cooperação dos países não através de um enforcement, e sim a partir da melhora da sua imagem. Ou seja, obter a cooperação ao fazer com que os países passem a percebê-la como uma boa oportunidade de parceria (NDRC, 2015;ROSA,2015; XIAOMING,2015; XIANG,2015).

Um fator que favorece a cooperação é a complementaridade das economias dos países da Nova Rota da Seda, isto é, o fato de eles possuírem diferentes recursos que são necessários para que eles consigam alcançar seu desenvolvimento (NDRC, 2015; XIAOMING,2015; XIANG,2015). Nessa perspectiva, existe um potencial enorme para a intensificação da cooperação entre eles de maneira a beneficiar a todos.O governo da RPC defende que:

“[…] eles precisam melhorar a infraestrutura da região; implantar uma rede de passagem terrestre, marítima e aera segura e eficiente para aumentar a conectividade da região;  facilitar e incentivar o investimento e o comércio; estabelecer uma rede de áreas de livre comércio que sejam de padrões de alto nível e contribuam para manter laços econômicos fortes e aumentar a confiança política; aumentar os intercâmbios culturais; encorajar diferentes civilizações a aprenderem umas com as outras para que elas prosperem conjuntamente; e promover o entendimento mútuo, a paz e a amizade entre os povos de todos os países.” (NDRC, 2015, p.3. Traduçãolivre)

Dessa forma, segundo a RPC, os países da Nova Rota da Seda deveriam principalmente promover a integração financeira, estreitar os laços interpessoais, coordenar suas políticas, facilitar a conectividade e diminuir os impedimentos e barreiras ao comércio. Essas atitudes contribuiriam para alcançar os objetivos principais da iniciativa, o benefício mútuo e a segurança coletiva (XIAOMING,2015;XIANG,2015;NDRC,2015).

Países e regiões abrangidos pela Nova Rota da Seda

A iniciativa One Belt, One Road teria como objetivo interligar o leste asiático à Europa, por terra e por mar. Por terra, a estratégia seria se aproveitar de rotas de transporte internacionais ao longo dos corredores econômicos China-Mongólia-Rússia, China-Ásia Central- Oeste Asiático e China-Península da Indochina. Além disso, a iniciativa utilizaria parques industriais e plataformas de cooperação já existentes e teria como foco cidades de importância estratégica central na região (XIAOMING,2015;XIANG,2015; NDRC,2015).

Por mar, o foco estaria na construção de redes de transporte marítimo eficientes e seguras que possibilitassem a ligação entre os principais portos ao longo da rota. Assim, os principais corredores econômicos seriam o China-Paquistão e o Bangladesh-China-India-Myanmar (XIAOMING,2015;XIANG,2015; NDRC,2015).As regiões de maior foco da nova Rota da Seda podem ser compreendidas por: Ásia Central, Rússia, Índia e Paquistãoe Europa.

Ásia Central

A região da Ásia Central será de extrema importância para a Republica Popular da China, visto que após serem construídos os oleodutos, estradas e rodovias nos estados daquela região, o país terá acesso mais facilmente a energia. Apesar dos chineses já possuírem oleodutos no Cazaquistão e Turcomenistão, o fornecimento de energia ainda é considerado vulnerável,  uma vez que 80 por cento passa “ pelo ponto de estrangulamento ” do estreito de Malaca. Desse modo, esse tipo de transporte poderá ser efetuado com mais eficácia e por via terrestre pelospaíses do Oriente médio e da Ásia Central, reduzindo a necessidade de envolver o estreito de Malaca no processo (NDRC,2015; FALLON,2015).

Rússia

Após uma rivalidade estratégica durante a União Soviética, com a ascensão de Putin ao poder, Rússia e RPC começaram a se reaproximar. Desde essa época até os dias atuais, a relação entre os dois países vem aumentando, ao passo que a Rússia, cada vez mais, se desentende com o oeste (Estados Unidos e União Europeia). Visto tal situação, os dois estados se juntaram em prol de investirem em uma cooperação na área militar ,de modo que a iniciativa chinesa de construção do novo projeto foi bem recebida pela Rússia que apoiou a construção da ferrovia da eurásia, visando os benefícios mútuos de tal empreendimento (FALLON,2015; NDRC,2015).

Índia e Paquistão

A relação entre RPC e Índia sempre foi marcada por empecilhos como disputas fronteiriças, desigualdades em questões comerciais e pela estratégica parceria entre a Republica Popular da China e o Paquistão. Por essas razões, a Índia observa atentamente a proposta do One Belt, One Road e não acredita que essa possa trazer iguais benefícios aos envolvidos. Enquanto isso, as relações entre RPC e Paquistão se fortalecem significativamente, fato este, comprovado pelo investimento de 45 bilhões de dólares pelo governo chinês. Outro aspecto relevante dessa relação é que os benefícios recebidos pelo Paquistão por meio da construção do projeto em seu território, não representa apenas uma questão econômica, mas também geopolítica, uma vez que, essa relação entre a RPC e o Paquistão cresce, ao mesmo tempo que a influência estadunidense sobre este último recua (FALLON,2015; NDRC,2015).

Europa

Em 2011, o governo chinês promoveu um fórum de cooperação com os países do centro e do leste europeu. Os países integrantes do fórum são: Bulgária, Croácia, Republica Tcheca, Estônia, Hungria, Letônia, Lituânia, Polônia, România, Eslováquia, Eslovênia,Albânia, Bósnia e Herzegovina, Macedônia, Montenegro e Sérvia.Embora esses 16 países possuam expressivas diferenças culturais, religiosas e linguísticas, eles se uniram com o intuito de receber o investimento chinês em seus territórios. Entretanto, pelo fato de todos terem vivenciado o comunismo, eles possuem certas semelhanças históricas com a RPC. Esses grupo de países possui extrema importância  no estabelecimento do  One Belt, One Road na Europa e, por receberem investimentos chineses na construção de infra estrutura, são todos Estados mais propícios a apoiarem a China regionalmente e internacionalmente (FALLON, 2015; NDRC,2015).

A contribuição da Rota da Seda para a consolidação do projeto de ascensão chinês

A nova Rota da Seda, ou One Belt, One Road, propicia internamente à RPC,o desenvolvimento de áreas provinciais localizadas no centro e no oeste, onde predomina a pobreza, que diferentemente de Pequim, não se beneficiaram tanto com o rápido desenvolvimento econômico dos últimos 16 anos. Outro aspecto relevante que irá agregar ao processo de ascensão é o fato de essas obras estarem promovendo infraestrutura para estados vizinhos, criando um vínculo que trará benefícios e favorecimentos quanto ao comércio entre esses países, ampliando, assim, o volume de exportações global e, principalmente, o lucro do produtor chinês (LIY, 2015).

Outra razão que colabora com a ascensão do do país, é o fato de o projeto favorecer o comércio limitando a área, de modo a não incluir os Estados Unidos. Isso ocorre, uma vez que a RPCenxerga uma competição estratégica com a relação entre o Japão e os Estados Unidos no Pacífico (FALLON,2015). Porém, já que os EUA demonstra uma capacidade de recursos financeiros escassa para investimentos de mesmo grau, a Republica Popular da China encontra livre caminho para expandir sua economia e desenvolver a política externa, ampliando seus ganhos relativos.

Um aspecto de singular relevância para a economia chinesa observado por meio da Nova Rota da Sedapode ser compreendido pela desenvolvimento de novos mercados consumidores, isto é, maior facilidade em escoar a produção. Visto que o país tem uma capacidade produtiva alta que não acompanha, em mesma quantidade a demanda exterior, esse aspecto é fundamental para reduzir a pressão desinflacionaria que o país vem sofrendo nos últimos tempos, promovendo uma melhora significativa nos medidores macroeconômicos (ZHU, 2014),

 Considerações finais

Por maiores que sejam os esforços do governo para que a cooperação aconteça também na área cultural, de modo a maximizar o compartilhamento dos valores dos membros, proporcionando um ambiente mais agradável comercialmente, é evidente que o alvo principal do One Belt, One Road não seja este. A iniciativa chinesa da construção de uma Nova Rota da Seda é uma forte estratégia do governo que visa, sobretudo, à ascensão econômica e política do país no cenário internacional.  A partir de tal projeto, a Republica Popular da China ampliará seu mercado consumidor, garantindo o lucro com a venda de produtos excedentes e, também, irá maximizar suas fontes energéticas com o investimento em infra estrutura de países exportadores de tais recursos. Dessa maneira, a RPC terá a possibilidade de alavancar seu crescimento econômico, que vem desacelerando, principalmente nos últimos dois anos, contribuindo para o processo de ascensão chinês que teve início na década de 70.

Ainda que o empreendimento englobe diversos países de distintas regiões do globo, dificilmente os ganhos serão simétricos, uma vez que as condições internas de cada país acabam por limitar ou propiciar seus resultados. Governos exportadores de produtos primários irão, certamente, se beneficiar mais com a relação se comparados àqueles produtores de manufaturas, tendo em vista a competição desfavorável com a China, que produz em larga escala com preços altamente competitivos. Desse modo, tais países verão seus mercados inundados pela produção chinesa, prejudicando diretamente esse setor da economia nacional. Entretanto, as contribuições feitas em infra estrutura para os membros desse projeto serão benéficas para os mesmos, já que a maior parte dos envolvidos não possui capacidade financeira para investir nessa área.

Após o fim da implementação da Nova Rota comercial, a Republica Popular da China poderá ser a maior beneficiada. Resolvendo questões internas como a necessária ampliação do escoamento de excedentes, a facilitação na obtenção de energia e o desenvolvimento das regiões centro e oeste do país, ela poderá ter  ganhos econômicos, que irão possibilitar a retomada do crescimento e ascensão no cenário internacional. Dessa maneira, Pequim demonstra ao mundo a capacidade que possui como uma liderança regional na Ásia.

 

Referências

ARRIGHI, Giovanni. Adam Smith in Beijing: Lineages of the Twenty-First Century. Editora Verso. Londres, 2007.

CARVALHO, Thales Leonardo. Das instituições de Bretton Woods à China: um novo “salvador” para o Brasil em um momento de fragilidade econômica?. Conjuntura Internacional, 6 jul. 2015. Disponível em:https://pucminasconjuntura.wordpress.com/2015/07/06/das-instituicoes-de-bretton-woods-a-china-um-novo-salvador-para-o-brasil-em-um-momento-de-fragilidade-economica/. Acesso em 20.out.2015.

COMISSÃO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO E REFORMA (NDRC), MINISTERIO DE RELAÇÕES EXTERIORES  E MINISTÉRIO DO COMÉRCIO DA REPÚBLICA POPULAR DA CHINA. Vision and Actions on Jointly Building Silk Road Economic Belt and 21st-Century Maritime Silk Road.28 Mar 2015. Disponível em: http://en.ndrc.gov.cn/newsrelease/201503/t20150330_669367.html Acesso em: 22/03/2016

CHEN, Yunnan; GU, Jing; ZHANG, Yanbing.China’s Engagement in International Development Cooperation: The State of the Debate. Evidence Report n 116.ReinoUnido,Feb 2015.

ELLIS, Robert E. China in Latin America: the whats and wherfores. Lynne Rienner Publishers, Colorado, 2009.

FALLON, Thereza. American foreign policy interests.The New Silk Road: Xi Jinping’s Grand Strategy for Eurasia. Florida,20 de ago. 2015.

LYI, Macarena Vidal. As novas rotas da seda na China. El país. Pequim, 19 de março de 2016. Disponível em<http://brasil.elpais.com/brasil/2014/12/19/economia/1419009258_040938.html> Acesso em 22/03/2016

MINISTERIO DE RELAÇÕES EXTERIORES DA REPUBLICA POPULAR DA CHINA (MRE). China’s Initiation of the Five Principles of Peaceful Co-Existence Disponívelem:http://www.fmprc.gov.cn/mfa_eng/ziliao_665539/3602_665543/3604_665547/t18053.shtmlAcessoem: 22/03/2016

ROSA, Raquel Isamara Leon de la. Politica exterior china: reconptualizacióndel sistema Tianxia. (capitulo de livro) 2015

VADELL, Javier.  A China na América do Sul e as Implicações Geopolíticas do Consenso do Pacífico.Rev. Sociol. Polít.,v. 19, n. suplementar, p. 57-79. Curitiba, nov. 2011.

XIANG, Zhang. Belt and Road initiative open to all. China Daily. 16 Abr 2015.Disponível em:http://www.chinadaily.com.cn/china/2015-04/16/content_20452313.htm. Acesso em: 22/03/2016

XIAOMING, Liu. New Silk Road is an opportunity and not a threat. Financial Times. 24 Mai 2015.Disponível em: http://www.ft.com/cms/s/0/c8f58a7c-ffd6-11e4-bc30-00144feabdc0.html. Acesso em 22/03/2016

ZHU, John. China’s new Silk Road.New funding for overseasinfrastructureinvestments. 18 de nov. De 2014. Disponível em< http://www.gbm.hsbc.com/insights/infrastructure/china-new-silk-road&gt;

 

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